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Por Que Precisamos de Um Dia Internacional da Felicidade

  • 20/03/2021
  • Carla Furtado, para GPS

Desde 2012 a Organização das Nações Unidas  (ONU) defende que os países rompam com a hegemonia do Produto Interno Bruto (PIB) enquanto indicador de progresso, por ser insuficiente para avaliar a qualidade do crescimento de uma nação. No lugar, a entidade defende algo similar ao FIB, Felicidade Interna Bruta, criado pelo Butão. Em sua essência, o FIB avalia o progresso a partir da tríade economia, bem-estar social e preservação ambiental.  

No mesmo ano a ONU instituiu 20 de março como o Dia Internacional da Felicidade. Junto com a data passou a publicar o Relatório Mundial da Felicidade, que apresenta os países participantes em um ranking de felicidade. No rol dos aspectos avaliados estão a relação PIB/per capita, a expectativa de vida no nascimento, a existência de uma rede social de apoio diante de adversidades, a confiança no governo e nas organizações, a liberdade para fazer escolhas, a generosidade e, obviamente, a avaliação subjetiva da própria felicidade. As fontes são o Banco Mundial, a OMS e a Gallup World Poll.  

Este ano, a data coincide com o marco do primeiro ano de pandemia do Covid-19, o que suscita a inevitável pergunta: é mesmo hora de falar de felicidade? Onde e quando há sofrimento é urgente falar de felicidade. Isso porque a promoção do bem-estar precisa partir da identificação e da mitigação das vulnerabilidades e a humanidade enfrenta uma constelação delas ? na saúde, na economia, nos direitos humanos e na democracia.  

Precisamos de um Dia Internacional da Felicidade porque a cada ano o mundo experimenta mais emoções negativas. Porque nos Estados Unidos, muito embora o PIB per capita suba, as pessoas estão mais infelizes. Porque na América Latina registram-se não apenas abismos socioeconômicos, mas abismos de bem-estar, com pessoas muito felizes e outras muito infelizes vivendo lado a lado. Porque há a triste constatação de que a humanidade está diante de epidemias de depressão, transtorno de ansiedade e suicídio.  

Precisamos de um Dia Internacional da Felicidade porque, diferente de outras espécies, o ser humano se perde de sua natureza, se desumaniza e ao fazê-lo torna-se um vetor de infelicidade para si mesmo e para os outros. Porque muito embora a ciência aponte soluções no coletivismo, recompensa-se socialmente o individualismo.  
 

Precisamos de um Dia Internacional da Felicidade porque o Brasil acaba de cair 9 posições no ranking global, alcançando o 41º lugar entre 149 nações de acordo com o Relatório Mundial da Felicidade 2021. E embora o resultado tenha relação com a pandemia, constitui apenas o agravamento do desempenho de um país que já esteve em 16º lugar.  


*Carla Furtado é pesquisadora científica e professora na área de psicologia e fundadora do Instituto Feliciência, com atuação no Brasil e em Portugal  



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